POSTO DE ESCUTA Suddenly

Quando se tem um debute discográfico com a amplitude mediática que Anna Calvi conseguiu há dois anos, então merecendo consagração generalizada (e justa) como uma das melhores vozes emergentes da cena musical britânica, não há como evitar a elevação de expectativas para o sempre difícil exercício de urdir um segundo disco à altura da estreia. Essa barreira psicológica onde encalham muitos projectos musicais é também, por norma, elemento separador de águas e revelador de aptidões para futuro. No caso de Calvi, este One Breath mostra ambientes sonoros familiares, conservando grande parte das premissas do antecessor, sobretudo na elegância de uma visão pop sem concessões facilitistas e construída essencialmente à volta de dois argumentos muito valiosos: a voz e a guitarra.

 

Não obstante a inevitável continuidade desse par no núcleo orgânico das composições - afinal, são matéria quintessencial a Calvi -, da audição do novo trabalho ressalta uma acrescida ambição nas composições e nos arranjos, seja pela adição de outros conteúdos instrumentais, seja pela incursão óbvia em planos de escrita mais extravagantes. E se a aposta resulta em grande parte do disco, dando uma imagem inventiva de Calvi que é óptimo enquadramento para emprestar outra dinâmica ao seu cancioneiro, não é menos verdade que o excesso de ambição acaba por pontualmente tocar extremos desalinhados do seu ideário estético (a fazerem lembrar as agudizações da americana St. Vincent) e a pedirem uma escrita mais solícita.

Outubro 14, 2013

Anna Calvi One Breath

Domino Records, 2013

7,6/10